sábado, 14 de fevereiro de 2009
Sons Da Liberdade
Claro que relacionamentos complexos como namoros, casamentos, vizinhos e prostitutas representam, em potencial, muito mais perigo que outros, mas o real fundo do poço é quando esta vivendo uma paranóia antes mesmo de se levantar.
Você acorda, e a primeira coisa que você faz não é abrir o olho, pois isso leva algum tempo, antes disso você esta ouvindo, e o som desperta as primeiras paranóias do dia, um silencio mortal representaria um desprezo? Um possível esquecimento? Ou alguém realmente chateado pela sua ausência nos compromissos sociais rotineiros? Os primeiros sons do dia normalmente definem como andam os humores das pessoas à sua volta e o seu próprio, se não há pássaros, acordou tarde, e isso pode gerar uma série de problemas em uma vida comum, um simples atraso pode acabar com seu dia, semana, vida, ou enfim. O próximo som é o da cozinha, as cozinhas são lugares extremamente barulhentos, onde as coisas normalmente são feitas de uma maneira tão mecanizada e disciplinada que os sons que vem de lá ecoam pela casa inteira, ajudados pelas propriedades mecânicas dos azulejos, é claro, barulhos de alguém lavando a louça podem ser um convite ao seu pessimismo imaginar o mau-humor que lavar louça pode acarretar nas pessoas, ainda mais se for sua esposa. Barulhos isolados, por sua vez, representam um café da manha simples e calmo, onde tudo ainda pode estar sob controle, o barulho da porta da dispensa pode ser atordoante, de qualquer maneira, se ágüem recorre ao depósito significa que algo acabou, o leite na geladeira, o pão, a manteiga, enfim, o risco de não se encontrar isso na dispensa pode transtornar a pessoa da cozinha, e até você as vezes vivera com essa duvida até o café da manha, acostume-se. Passamos então a análise dos sons do banheiro, onde podem ser muitos, porem inconclusivos muitas vezes, chuveiro, maquina de barbear, depilar, secar cabelo, enfim, milhares de possibilidades, porem poucas coisas se diz destes sons, os sons da rua são os próximos, construções, cachorros, carros, tratores, sinais de escolas, ambulâncias, aviões, tudo, tudo isso gera paranóia, depende do seu oficio, compromisso, posto social, conta bancaria, sem contar a grande paranóia do caos urbano. Os portões, por fim, são os últimos sons que você deve perceber, tirando o de passos que geralmente levam do quarto à cozinha e da cozinha à porta da frente, e podem refletir facilmente o humor de uma pessoa, procure passos lentos pela manhã, já os portões são o fim ou te liberam para um dia livre ou te prendem para um dia de duvidas e paranóias, até que sejam feitos contatos sociais que venham, ou não, a confirmar tais problemas.
Afinal, problemas que não são nem um pouco graves se pensarmos que nesta altura nem abrimos os olhos e já temos uma impressão de tudo e todos a nossa volta, a não ser que more em um hospício.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
One Flew Over The Cuckos Nest e o medo do Capitão Mac
No fim, vai descobrir que só nos resta isto, digo, tudo se resume à paranóia, uma criança e toda sua inocência é o que é pela completa falta de paranóias, as coisas são o que são e ponto, e um velho ignorante trata a tudo e a todos como paranóias, descobrirá que os problemas se tratam na vias deste mesmo tema, os sonhos nos atentam à paranóias que não imaginávamos mas que sempre estiveram lá, o oficio gera paranóia e o prazer é um santo remédio, a política as disfarça, a TV as esconde, os médicos, ou as confirmam ou as procuram, nunca negam sua existência, pois a vida de todos depende justamente das paranóias, ainda não percebe que os policiais as reprimem, enquanto o policiais dos policiais, vulgos juízes, cuidam para que não haja nenhuma paranóia sobre as paranóias, e se as houver para que não repita.
Você pode até não acreditar no que lhe digo, mas você é uma paranóia em pessoa num entrincheirado campo de relações sociais que as usam como combustível para o ódio ou o amor. Sua vida sem as paranóias seria igual a de todos os outros, pois é a maneira com que lhe damos com elas que define o nosso comportamento, mas, não seja tolo.
Se me perguntasse qual é a prova da existência das paranóias eu diria com muita tranqüilidade, os loucos. E se me pedisse pra explicar eu lhe diria para ir à um hospício e abrir suas portas, passariam dias e ninguém saíra, pois os loucos são tidos loucos devido apenas a um defeito, eles tem medo de suas paranóias, muitas vezes dar um passo é mais difícil que ficar parado, muitas vezes dizer sim ou não é mais difícil do que ficar calado, muitas vezes se corre, se esconde, tudo por termos medo das paranóias, somos todos loucos em um mundo que os hospícios são os portos seguros, onde se encontram os mais sábios e mais corajosos pois mesmo tendo medo de sua paranóia com nós, eles são os únicos seres no mundo que as reconhecem.