terça-feira, 6 de janeiro de 2009

E então eu ouvi as cores.

A maldição foi lançada no meio de uma tarde de sexta feira. A caixa de cerveja no meio da cozinha, limões espremidos na pia, açucar, um balcão na piscina. A porta não trancava mais. Fomos na montanha-russa. Ainda não sei dizer onde estávamos. Era um mundo à parte. Longe da cidade, mas cercado por ela. "Intero! É isso memo que eu to falano!!!" Começo a andar pela estrada de terra. Casas se entrelaçavam com as árvores... O cérebro já estava acelerando bastante. Volto pro bar já sem muita noção do tempo, guiado pelas marteladas no ouvido. O mundo estava amplificado. O drink era azul fluorescente e o copo era a cabeça do homem-de-lata. Ainda no tronco da árvore... Eu me olhei no espelho e meus olhos eram negros. Sem íris nem córnea, apenas dois vazios. De volta em lugar nenhum, encontro os outros dois. Minha visão pairava perto das copas das árvores agora. Eu me via. Três figuras no meio da escuridão. Medo misturado com coragem. Eu queria sair andando em uma direção e não parar por nada. O turbilhão de assuntos e perguntas que surgiam de todas as frestas que meus olhos fitavam girava inexoravelmente. Eu tinha as respostas pra tudo. Tudo se destrinchava diante de mim. Qualquer gesto eu traduzia. E não conseguia parar, mesmo que quisesse. O passado se misturava... não havia ordem alguma. Falar pedregulho angústia céu saber lembrança depois nervos inútil veneno vestindo vermelho colina agonizavam calafrios pedras. Sozinho. O vento arranhava as cordas do violão. Completamente escuro. Saí andando até que avistei o carro que me procurava. Eu vi mesmo o carro? Voltei... Voltei de novo... E voltei outra vez. Deitado sobre o parapeito, bastava decidir: esquerda ou direita... Viver ou terminar. Voltamos pra montanha-russa. Havia uma planta cinza no teto... Movendo-se; crescendo e diminuindo... Arrastando-se. Florescendo e morrendo... E sujeira nas lâmpadas. O céu já estava azul novamente. Meu corpo não queria dormir.

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