"Será que esse 1/6 vai bater?"
1/2 Caixa pra dois e a caipirinha no bule, pra um.
"Cara, você lavou a mão? Tá um sol do caraleo, toma cuidado com essa porra de limão."
Vasos quebrados, cadeiras na piscina e a mão queimada.
Essa tarde foi 1/6 de uma noite imprevisível.
O melhor de sair em outra cidade, em um lugar remoto, perdido no meio da civilização, é ser só mais um. O poblema é que não era só mais um, eramos um grupo. O no deserto quando um grupo é avistado ao longe torna-se fácil sua identificação. O deserto agora recebia pitadas de insanidade.
Na verdade o local era bem fresco, próximo a um lago. Um rock bar em pleno sítio, que só pelo caminho percorrido e por sua entrada já compesava a viajem. O interessante é que de tão escondido, a entrada em tal lugar mais parecia um chamado, impossível entrar de entrar ou o encontrar sem um guia. Após uma tentativa frustrada de reconhecimento territorial e algumas brejas, perguntei que horas eram, me responderam: "Quase meia-noite". Era a Hora. O local fresco e arejado, com cerveja gelada e clima agradável, começou a me derreter, mas me derretia numa velocidade incrível, meu coração pedia por sair pela minha boca,aquilo parecia O Inferno. A banda ficou agressiva, as pessoas começaram a bater cabeças. Minha cabeça parecia estar no meio da roda (se não a própria roda), tamanha confusão do momento.
"Cara, vo derretê. Parece que tô no Atacama porra."
"Cê não tá muito legal né, dá um pouco disso pra mim?"
O grupo já não era mais grupo, tanto que se tornou comum a pergunta: "ae, cê viu o Yohan ou o Péricles por ae?". O bizarro é que todo instante que alguém fazia essa pergunta todos se encontravam casualmente.
As duas rodas do velho oeste marcavam a saída para um novo mundo, uma estrada de terra, com eucaliptos nas laterais, que escondiam, do lado direito, um lago tentador, e na esquerda sabe-se lá o quê; esse caminho, de início, bem iluminado, tornava-se, mais a frente, desconhecido e impossível de saber o que nos aguardava.
Na escuridão fomos recepcionados por mulheres as quais a metade inferior do corpo estava enterrada e a metade superior ficava à mostra. Tal parte à mostra era acolhedora, os braços abertos com a cabeça encostando no ombro dizia: "Venha filho, não tenha medo, conte-me tudo o que se passa, suas alegrias, seus sofrimentos, seu alívio será imediato". Sofrimento foi ver que, com o aproximar, as mulheres secaram e se transformaram em troncos de eucalipto distribuídos pela mata.
Após desbravar Gaia, retornamos à selvajaria. O local estava sereno. A cantoria ao longe foi como uma hipnose, clamando por companhia. O mestre do ritual era misterioso, pouco conversava. Recebia os pedidos, concentrava-se por alguns segundos, estabelecia algum tipo de conexão mental, e iniciava o mantra certo para a pessoa certa. Ele era famoso, e quando percebeu que sua presença já não passava por despercebida, terminou instantaneamente o ritual, empunhou seu violão, desceu até as rodas do velho oeste e desapareceu.
Confundir luzes de Natal com labaderas.
Luzes de Natal, curto-circuito, árvore pegando fogo.
Será que a distância entre realidade e ilusão é tão grande assim?
Paranóia, ponte unificadora.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
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